Mostrar mensagens com a etiqueta Abel Murcia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Abel Murcia. Mostrar todas as mensagens

sábado, 28 de agosto de 2010

sempre a contrariar o universo

Assim, vista de longe,
dir-te-ia
que esta história
só podia ser impossível.
Primeiro, as coisas aconteceram fora de tempo,
ainda que não o suficiente.
Também não ajudou
não termos encontrado o mesmo espaço.
Dos teus cinzentos sóis de Inverno
não era fácil conceber
o azul transparente dos meus mares.
Os teus jogos e os meus
não partilharam as folhas do livro da infância.
Os teus nomes e os meus
soam estranhos às crianças que fomos.
Nestas coisas da vida percorremos caminhos
que não se entrecruzavam.
Um dia até o acaso
deixou de ser perfeito. Talvez apenas um segundo.
Quando muito, um pouco mais.
E como vês,
aqui estamos
a olhar surpresos o nosso encontro
nesta inexplicável obstinação
em contrariar o universo.

Abel Murcia
in Em voz baixa

quinta-feira, 11 de março de 2010

Nocturno

Espasmo del cuerpo, cuando entras en la noche
y el viento nocturno que alterará la meteorología.
De pie junto a una gran ventana victoriana
(pesados estores y un pedazo de un grand piano),
a tus espaldas las primeras estrellas
y las móviles dunas de un sol que se apaga.
Te gustaría quedarte así, permanecer en el aire
entre el silencio de la habitación y tu mañana,
existir como esa blanca mariposa al otro lado del cristal
a la luz del atardecer. Deseas (deseo)
que el mundo sea siempre así como
es cuando llena el vacío que dejas.

Abel Murcia

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Lección de existencia

He aprendido a compartir tu ausencia
con mi sombra, el vacío
que deja el tacto inexistente de tu mano
en al mía, el silencio de tu voz
al otro lado de ningún teléfono,
esa ciega mirada de todos los objetos
que ocupan tu lugar.
He aprendido a dejar de ser tan yo
por ser un poco tú.
Me asusta sentirme rodeado de tu nada.

Abel Murcia