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domingo, 3 de outubro de 2010

PENUMBRA

Na penumbra dos ombros é que tudo começa
quando subitamente só a noite nos vê
e nos abre uma porta nos aponta uma seta

para sermos de novo quem deixámos de ser

David Mourão-Ferreira
in Obra Poética

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

ou preciso?

Podes partir. De nada mais preciso
para a minha ilusão do Paraíso.

David Mourão-Ferreira
excerto do poema Paraíso in Obra Poética

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Inventar de novo

às vezes o amor é inventar de novo
as iluminações de vogar à deriva
É sequestrar o dia É caminhar de noite
numa rua de Roma a comer melancia
É fazer explodir um palácio barroco
É durante a explosão cair numa armadilha

David Mourão-Ferreira
in Obra Poética

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Tu

A luz que vibre
sobre o teu rosto
O mar que oscile
sob os teus ombros
O que me atinge
vem de mais longe

lá dos confins
em que te sonho.

David Mourão-Ferreira


Embrance - Nature's Law

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

E por vezes as noites DURAM MESES

E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se envolam tantos anos.

David Mourão-Ferreira
in 306 Poemas que falam de Amor