Não te chamo para te conhecer
Eu quero abrir os braços e sentir-te
Como a vela de um barco sente o vento
Não te chamo para te conhecer
Conheço tudo à força de não ser
Peço-te que venhas e me dês
Um pouco de ti mesmo onde eu habite
Sophia de Mello Breyner
in Tempo Dividido
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segunda-feira, 25 de abril de 2011
segunda-feira, 11 de abril de 2011
As minhas mãos.
As minhas mãos mantêm as estrelas,
Seguro a minha alma para que se não quebre
A melodia que vai de flor em flor,
Arranco o mar do mar e ponho-o em mim
E o bater do meu coração sustenta o ritmo das coisas.
Sophia de Mello Breyner
in Obra Poética
Seguro a minha alma para que se não quebre
A melodia que vai de flor em flor,
Arranco o mar do mar e ponho-o em mim
E o bater do meu coração sustenta o ritmo das coisas.
Sophia de Mello Breyner
in Obra Poética
domingo, 10 de abril de 2011
Segundo nascimento
Quando o barco rolar na escuridão fechada
Estarás perdida no interior da noite no respirar do mar
Porque esta é a vigília de um segundo nascimento
O sol rente ao mar te acordará no intenso azul
Subirás devagar como os ressuscitados
Terás recuperado o teu selo a tua sabedoria inicial
Emergirás confirmada e reunida
Espantada e jovem como as estátuas arcaicas
Com os gestos enrolados ainda nas dobras do teu manto
Sophia de Mello Breyner
excerto do poema Ítaca in Obra Poética
Estarás perdida no interior da noite no respirar do mar
Porque esta é a vigília de um segundo nascimento
O sol rente ao mar te acordará no intenso azul
Subirás devagar como os ressuscitados
Terás recuperado o teu selo a tua sabedoria inicial
Emergirás confirmada e reunida
Espantada e jovem como as estátuas arcaicas
Com os gestos enrolados ainda nas dobras do teu manto
Sophia de Mello Breyner
excerto do poema Ítaca in Obra Poética
sábado, 26 de março de 2011
Porque pertenço...
Porque pertenço à raça daqueles que mergulham de olhos abertos
E conhecem o abismo pedra a pedra, anémona a anémona, flor a flor.
(…)
Porque pertenço à raça daqueles que percorrem o labirinto,
Sem jamais perderem o fio de linho da palavra
Sophia de Mello Breyner Andersen
excerto do poema O Minotauro
E conhecem o abismo pedra a pedra, anémona a anémona, flor a flor.
(…)
Porque pertenço à raça daqueles que percorrem o labirinto,
Sem jamais perderem o fio de linho da palavra
Sophia de Mello Breyner Andersen
excerto do poema O Minotauro
segunda-feira, 21 de março de 2011
DIA PURO
Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.
Para ti criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas.
Sophia de Mello Breyner
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.
Para ti criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas.
Sophia de Mello Breyner
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Um dia
Um dia quebrarei todas as pontes
Que ligam o meu ser, vivo e total,
À agitação do mundo do irreal,
E calma subirei até às fontes.
Irei até às fontes onde mora
A plenitude, o límpido esplendor
Que me foi prometido em cada hora,
E na face incompleta do amor.
Irei beber a luz e o amanhecer,
Irei beber a voz dessa promessa
Que às vezes como um vôo me atravessa,
E nela cumprirei todo o meu ser.
Sophia de Mello Breyner
Que ligam o meu ser, vivo e total,
À agitação do mundo do irreal,
E calma subirei até às fontes.
Irei até às fontes onde mora
A plenitude, o límpido esplendor
Que me foi prometido em cada hora,
E na face incompleta do amor.
Irei beber a luz e o amanhecer,
Irei beber a voz dessa promessa
Que às vezes como um vôo me atravessa,
E nela cumprirei todo o meu ser.
Sophia de Mello Breyner
domingo, 12 de dezembro de 2010
para perder o medo...
Para atravessar contigo o deserto do mundo,
para enfrentarmos juntos o terror da morte,
para ver a verdade, para perder o medo,
ao lado dos teus passos caminhei.
Por ti, deixei meu reino meu segredo,
minha rápida noite, meu silêncio,
minha pérola redonda e seu oriente,
meu espelho, minha vida, minha imagem,
e abandonei os jardins do paraíso.
Cá fora, à luz sem véu do dia duro,
sem os espelhos vi que estava nua
e ao descampado se chamava tempo.
Por isso, com teus gestos me vestiste
e aprendi a viver em pleno vento…
Sophia de Mello Breyner
para enfrentarmos juntos o terror da morte,
para ver a verdade, para perder o medo,
ao lado dos teus passos caminhei.
Por ti, deixei meu reino meu segredo,
minha rápida noite, meu silêncio,
minha pérola redonda e seu oriente,
meu espelho, minha vida, minha imagem,
e abandonei os jardins do paraíso.
Cá fora, à luz sem véu do dia duro,
sem os espelhos vi que estava nua
e ao descampado se chamava tempo.
Por isso, com teus gestos me vestiste
e aprendi a viver em pleno vento…
Sophia de Mello Breyner
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
CHEGUEI
Sacode as nuvens que te poisam nos cabelos,
Sacode as aves que te levam o olhar.
Sacode os sonhos mais pesados do que as pedras.
PORQUE EU CHEGUEI E É TEMPO DE ME VERES,
Mesmo que os meus gestos te trespassem
De solidão e tu caias em poeira,
Mesmo que a minha voz queime o ar que respiras
E os teus olhos nunca mais possam olhar.
Sophia de Mello Breyner
Sacode as aves que te levam o olhar.
Sacode os sonhos mais pesados do que as pedras.
PORQUE EU CHEGUEI E É TEMPO DE ME VERES,
Mesmo que os meus gestos te trespassem
De solidão e tu caias em poeira,
Mesmo que a minha voz queime o ar que respiras
E os teus olhos nunca mais possam olhar.
Sophia de Mello Breyner
quarta-feira, 16 de junho de 2010
7
Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo
Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa
Sophia de Mello Breyner Andresen
Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa
Sophia de Mello Breyner Andresen
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
ESCUTO
Escuto mas não sei
Se o que oiço é silêncio
Ou deus
Escuto sem saber se estou ouvindo
O ressoar das planícies do vazio
Ou a consciência atenta
Que nos confins do universo
Me decifra e fita
Apenas sei que caminho como quem
É olhado amado e conhecido
E por isso em cada gesto ponho
Solenidade e risco
Sophia de Mello Breyner
Se o que oiço é silêncio
Ou deus
Escuto sem saber se estou ouvindo
O ressoar das planícies do vazio
Ou a consciência atenta
Que nos confins do universo
Me decifra e fita
Apenas sei que caminho como quem
É olhado amado e conhecido
E por isso em cada gesto ponho
Solenidade e risco
Sophia de Mello Breyner
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Espero
No ponto onde o silêncio e a solidão
Se cruzam com a noite e com o frio,
Esperei como quem esperava em vão,
Tão nítido e preciso era o vazio.
Sophia de Mello Breyner Andressen
in Poesia
Se cruzam com a noite e com o frio,
Esperei como quem esperava em vão,
Tão nítido e preciso era o vazio.
Sophia de Mello Breyner Andressen
in Poesia
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