terça-feira, 18 de março de 2014

The fountain...

As confidências demoram-se no céu da boca como as nuvens lentas do Outono. Sopro-as, para que o céu se limpe e apenas uma névoa vaga se cole ao que me queres dizer; mas encostas-me os lábios ao ouvido e tu, sim, é que me contas que céu é este, e de onde vêm as nuvens que o cobrem. Sentimentos, emoções, paixões, interpõem-se entre cada frase. Nem há outros assuntos quando nos encontramos, e me começas a falar, como se fosse o coração a única fonte do que dizemos. Nuno Júdice, in POESIA REUNIDA

quinta-feira, 13 de março de 2014

O privilégio...

Nada, nem sequer o verão está completo. Menos ainda o colar de sílabas que, desvelado, te ponho à roda da cintura. Nunca me pediste mais, nunca te dei outra coisa. Quando juntamos as mãos esquecemos que somos culpados da nossa inocência. E sorrimos, alheios ao sol que declina, à estrela do norte que sabemos no fim. O privilégio da vida é este silêncio musical que do teu olhar cai nos meus olhos e regressa a ti acrescentado pela luz da manhã varrendo o mar. Eugénio de Andrade

Esse olhar que era só teu

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quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Hoje

Hoje de manhã saí muito cedo, Por ter acordado ainda mais cedo E não ter nada que quisesse fazer... Não sabia que caminho tomar Mas o vento soprava forte, varria para um lado, E segui o caminho para onde o vento me soprava nas costas. Assim tem sido sempre a minha vida, e Assim quero que possa ser sempre Vou onde o vento me leva e não me Sinto pensar. Alberto Caeiro

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

terça-feira, 28 de agosto de 2012

sexta-feira, 1 de junho de 2012

O que temos

Deixei contigo o meu amor, música de açúcar a meio da tarde, um botão de vestido por apertar, e o da vida por desapertar, a flor que secou nas páginas de um livro, tantas palavras por dizer e a pressa de chegar, com o azul do céu à saída. por entre cafés fechados e um por abrir. Mas trouxe comigo o teu amor, os murmúrios que o dizem quando os lembro, a surpresa de um brilho no olhar, brinco perdido em secreto campo, o remorso de partir ao chegar, e tudo descobrir de cada vez, mesmo que seja igual ao que vês neste caminho por encontrar em que só tu me consegues guiar. Por isso tenho tudo o que preciso mesmo que nada nos seja dado; e basta-me lembrar o teu sorriso para te sentir ao meu lado. Nuno Júdice in O ESTADO DOS CAMPOS

segunda-feira, 19 de março de 2012

Na tua pele

Na tua pele toda a terra treme
alguém fala com Deus alguém flutua
há um corpo a navegar e um anjo ao leme.

Das tuas coxas pode ver-se a Lua
contigo o mar ondula e o vento geme
e há um espírito a nascer de seres tão nua…

Manuel Alegre

domingo, 18 de março de 2012

devagarinho...

Vive devagarinho.
Aquece-te à réstia do Sol como
quem nunca mais tornará a aquecer-se;
Perde todas
as horas a trespassar-te da vida.

in Húmus de Raul Brandão

sábado, 3 de março de 2012

domingo, 8 de janeiro de 2012

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

sábado, 8 de outubro de 2011

Eu procuro a verdade

Dentro de um livro fechado
Dentro do próprio silêncio
Sonho apenas sonhado
Silêncio apenas sonhado
Silêncio apenas silêncio
Nasci neste mundo para não te compreender
E perder, perder, perder, sempre...
Nasci neste mundo para nunca te ter...
O fim do céu,
O fim do céu...
O fim da alma e da
Eternidade
Fim do sentido do silêncio
e das palavras...
Eu procuro a verdade
Mas não sei se existe
Como pode existir
Aquilo que nunca viste
O fim do fim,
O fim do fim...

José Luís Peixoto

domingo, 2 de outubro de 2011

Sei muito bem...

(...)
assim também eu nunca te direi o que sei
a não ser pelo arco em flecha negro e azul do vento
Não digo como o outro: sei que não sei nada
sei muito bem que soube sempre umas coisas
que isso pesa
que lanço os turbilhões e vejo o arco íris
acreditando ser ele o agente supremo
do coração do mundo

Mário Cesariny

sábado, 27 de agosto de 2011

O que tem que ser....será!

A pálida luz da manhã de inverno,
O cais e a razão
Não dão mais esperança, nem menos esperança sequer,
Ao meu coração.
O que tem que ser
Será, quer eu queira que seja ou que não.

No rumor do cais, no bulício do rio
Na rua a acordar
Não há mais sossego, nem menos sossego sequer,
Para o meu esperar.
O que tem que não ser
Algures será, se o pensei; tudo mais é sonhar.

Fernando Pessoa

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

24



na verdade nunca te esqueço no dia a dia que te esquece...

Vergílio Ferreira

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Eu quero...

Eu quero apenas amar-te lentamente

Como se todo o tempo fosse nosso
Como se todo o tempo fosse pouco
Como se nem sequer houvesse tempo.

Joaquim Pessoa

sábado, 23 de julho de 2011

SEMPRE A COMEÇAR

É que o amor é essencialmente perecível, e na hora em que nasce começa a morrer. Só os começos são bons. Há então um delírio, um entusiasmo, um bocadinho do céu. Mas depois! … Seria pois necessário estar sempre a começar, para poder sempre sentir?

Eça de Queiroz
in O Primo Basílio

sábado, 16 de julho de 2011

It kicks like a sleep twitch

If there really was a God here
He'd have raised a hand by now