terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto, tão perto, tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Mário Cesariny

domingo, 14 de fevereiro de 2010

O sorriso

Creio que foi o sorriso,
o sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com muita luz
lá dentro, apetecia
entrar nele, tirar a roupa, ficar
nu dentro daquele sorriso.
Correr, navegar, morrer naquele sorriso.

Eugénio de Andrade
in O outro nome da terra

sábado, 13 de fevereiro de 2010

You and me together, we could do anything

Hoje

tanto eu tanto tu tanto eu tanto tu tanto eu tanto tu tanto eu tanto tu tanto eu tanto tu tanto eu tanto tu tanto eu tanto tu tanto eu tanto tu tanto eu tanto tu tanto eu tanto tu tanto eu tanto tu tanto eu tanto tu tanto eu tanto tu tanto eu tanto tu tanto eu tanto tu tanto eu tanto tu tanto eu tanto tu tanto eu tanto tu

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

...e nunca deste senão a mim

dá-me alguma da tua pele terra
tu que não me pedes nada e
me apareces de noite vestida de
nudez pele terra e me abres caminhos
para que te conheça dá-me algum
do silêncio que me dás para que
nele te diga pele terra se de noite
me apareces iluminada de muitos
pássaros a nascer e a voar a
nascer e a voar silêncio pele terra
para que te conheça dá-me o que
dás a todos e nunca deste senão
a mim pele terra tu que me dás
os gestos das minhas mãos
a música das minhas palavras que
me dás pele terra esconde-te
dentro de mim

José Luís Peixoto
in A criança em ruínas

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Lección de existencia

He aprendido a compartir tu ausencia
con mi sombra, el vacío
que deja el tacto inexistente de tu mano
en al mía, el silencio de tu voz
al otro lado de ningún teléfono,
esa ciega mirada de todos los objetos
que ocupan tu lugar.
He aprendido a dejar de ser tan yo
por ser un poco tú.
Me asusta sentirme rodeado de tu nada.

Abel Murcia