Deu-me Deus o seu gládio, porque eu faça
A sua santa guerra.
Sagrou-me seu em honra e em desgraça,
Às horas em que um frio vento passa
Por sobre a fria terra.
Pôs-me as mãos sobre os ombros e doirou-me
A fronte com o olhar;
E esta febre de Além, que me consome,
E este querer-grandeza são Seu nome
Dentro em mim a vibrar.
E eu vou, e a luz do gládio erguido dá
Em minha face calma.
Cheio de Deus, não temo o que virá,
Pois venha o que vier, nunca será
Maior do que a minha alma.
Fernando Pessoa
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
d i a r i a m e n t e
Estou diariamente à tua espera
como quem espera um astro pela noite
Defino-te em segredos
Revejo-te em memória
Invejo-te
Construo a tua boca sem palavras
Construo este silêncio em que me prendo.
João Rui de Sousa
como quem espera um astro pela noite
Defino-te em segredos
Revejo-te em memória
Invejo-te
Construo a tua boca sem palavras
Construo este silêncio em que me prendo.
João Rui de Sousa
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
longe que escava a distância
Sopra um vento entre mim e ti
nascido como todos
quando escavávamos dentro de nós
escavando a distância
foi já tempestade fechada em nevoeiro
hoje é apenas brisa
afrouxada na distância
recebo esse sopro suave como uma carícia
de quem ao largo me acena
enquanto parte
sempre entre nós um vento
ar com que te respiro
enquanto o longe nos escava
a distância.
Ana Viana
nascido como todos
quando escavávamos dentro de nós
escavando a distância
foi já tempestade fechada em nevoeiro
hoje é apenas brisa
afrouxada na distância
recebo esse sopro suave como uma carícia
de quem ao largo me acena
enquanto parte
sempre entre nós um vento
ar com que te respiro
enquanto o longe nos escava
a distância.
Ana Viana
domingo, 12 de dezembro de 2010
para perder o medo...
Para atravessar contigo o deserto do mundo,
para enfrentarmos juntos o terror da morte,
para ver a verdade, para perder o medo,
ao lado dos teus passos caminhei.
Por ti, deixei meu reino meu segredo,
minha rápida noite, meu silêncio,
minha pérola redonda e seu oriente,
meu espelho, minha vida, minha imagem,
e abandonei os jardins do paraíso.
Cá fora, à luz sem véu do dia duro,
sem os espelhos vi que estava nua
e ao descampado se chamava tempo.
Por isso, com teus gestos me vestiste
e aprendi a viver em pleno vento…
Sophia de Mello Breyner
para enfrentarmos juntos o terror da morte,
para ver a verdade, para perder o medo,
ao lado dos teus passos caminhei.
Por ti, deixei meu reino meu segredo,
minha rápida noite, meu silêncio,
minha pérola redonda e seu oriente,
meu espelho, minha vida, minha imagem,
e abandonei os jardins do paraíso.
Cá fora, à luz sem véu do dia duro,
sem os espelhos vi que estava nua
e ao descampado se chamava tempo.
Por isso, com teus gestos me vestiste
e aprendi a viver em pleno vento…
Sophia de Mello Breyner
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Quem dera...
Quem dera que houvesse
Um estado não perfeitamente interior para a alma,
Um objectivismo com guizos imóveis à roda de em mim...
A impossibilidade de tudo quanto eu não chego a sonhar
Dói-me por detrás das costas da minha consciência de sentir...
Fernando Pessoa
excerto do poema A casa branca nau preta
Um estado não perfeitamente interior para a alma,
Um objectivismo com guizos imóveis à roda de em mim...
A impossibilidade de tudo quanto eu não chego a sonhar
Dói-me por detrás das costas da minha consciência de sentir...
Fernando Pessoa
excerto do poema A casa branca nau preta
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